De acordo com a neurologista Andrea Bacelar, da Clínica Carlos Bacelar/Rio de Janeiro, a população adulta dorme, em média de 7h a 8h por noite. No entanto, há exceções. Existem, por exemplo, pessoas que podem dormir apenas cinco horas e ter a sensação de sono reparador quando acordam. Por outro lado, outros indivíduos necessitam de 10h de sono para "funcionarem" bem durante o dia. "Estes casos não são considerados distúrbios e sim variações individuais", explica a médica.
Ela alerta para o fato de que muitos trabalhadores brasileiros têm perdido o sono em decorrência do estresse provocado pelo ambiente de trabalho e da pressão que acompanha as responsabilidades do cargo que o profissional exerce. Hoje, ressalta a neurologista, com a política de metas implantadas por muitas empresas, horários de trabalho em turnos, além da remuneração muitas vezes incompatível com a carga de trabalho, certamente os profissionais têm mais dificuldades para iniciar e manter o sono, gerando para o organismo um estado de hiperalerta.
Quando questionada sobre os efeitos que uma noite de sono perdida provoca ao desempenho do profissional, Andrea Bacelar explica que quando a pessoa dorme menos do que o organismo necessita ou adormece fora do horário do seu relógio biológico, podem surgir problemas. Em curto prazo, por exemplo, ocorre o aumento da chance de acidentes no trabalho ou na rua devido ao comprometimento do grau de alerta e também pela queda da rapidez do raciocínio. Em médio prazo, a perda do sono pode confundir o sistema endógeno (interno) a respeito da hora ideal para dormir. O que acontece ao ser humano são momentos em que se poderia descansar, mas que o organismo não respeita, pois não está sincronizado.
Os acidentes de trabalho - As pessoas sonolentas são mais suscetíveis a acidentes de trabalho, porque chega um momento em que haverá falhas nos circuitos cerebrais e as estruturas do cérebro forçarão a pessoa a cochilar com a finalidade de preservar as áreas consideradas nobres. Dessa forma, não adianta o indivíduo bancar o forte e se sobrecarregar com tarefas em vigília. Há dados que mostram isso, com riscos graves e irreversíveis que colocam vidas em perigo e isso é relatado em casos históricos como o acidente nuclear de Chernobil, o petroleiro Exxon Valdez e o ônibus espacial Challenger.
A neurologista destaca que algumas medidas podem ajudar as pessoas a vencerem o sono no ambiente de trabalho como, por exemplo, o tradicional cafezinho ou mesmo lavar o rosto com água bem fria. No entanto, isso não pode fazer parte da rotina do profissional. "Se isso ocorre com freqüência, está na hora da pessoa mudar seus hábitos ou procurar um especialista em medicina do sono. Substâncias que contêm cafeína inibem um hormônio chamado adenosina e durante o dia, ele vai se acumulando para que em um certo momento gere, no indivíduo, a vontade de dormir. Quando lanço mão desse artifício, dificulto o início do sono", complementa Andrea Bacelar.
Ações preventivas - Os programas informativos podem conscientizar as pessoas sobre as necessidades de mudanças de hábitos que ajudam a dormir melhor e esse trabalho surge através dos programas voltados para a qualidade de vida dos funcionários. Dentre as dicas dadas pela neurologista, para que as empresas ajudem os funcionários sonolentos, ela cita o estímulo a um ambiente de trabalho menos tenso e com competitividade exagerada, salas de descanso após as refeições e uma atenção especial voltada para as horas trabalhadas.
Ela menciona ainda que grandes empresas já contratam médicos especialistas em sono para realizarem trabalhos de consultoria. Através desse tipo de investimento, destaca Bacelar, viu-se que a economia feita graças a esses profissionais é tão expressiva que os tornam pontos-chaves no manejo dos horários dos funcionários. Por fim, a médica lembra que de 20% a 50% dos adultos sofrem de algum tipo de insônia e que as pessoas com esse distúrbio sabem como isso interfere na vida delas. "Antes de tudo, deve-se procurar o auxílio médico e não ficar usando receitas da vovó e se automedicando com tranqüilizantes, pois isso, no futuro, trará conseqüências mais graves que a insônia em si", conclui Andrea Bacelar. |
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