No organismo humano, óleos e gorduras cumprem a função de fornecedores de energia e de ácidos graxos essenciais, além de transportadores das vitaminas A, D, E e K. A gordura trans, inclusive, é encontrada em pequena quantidade em alimentos de origem animal, como a carne, manteiga e leite, pois resulta da ruminação dos animais.
Segunda as normas da Anvisa, a ingestão dela passa a ser encarada como um problema para a saúde quando o consumo diário é superior a 2 g, para uma dieta de duas mil calorias. A pesquisadora explica que o organismo humano não necessita deste tipo de gordura, e, por esta razão, ele não está preparado para digeri-la em grandes quantidades.
Ela lembra, ainda, que como o corpo não metaboliza a quantidade de gordura consumida a mais, seja trans ou saturada, ela se acumula na região abdominal, que se expande à medida de sua ingestão. “A leitura dos rótulos dos alimentos permite ao consumidor escolhas mais saudáveis”, destaca.
Fórmula química – Quimicamente, o óleo difere da gordura por sua característica física à temperatura ambiente. Enquanto o óleo permanece líquido à temperatura de 20 graus, a gordura é sólida. Essa consistência é produzida artificialmente pela hidrogenização parcial dos óleos vegetais. É neste processo que ocorrem as mudanças nas suas características moleculares.
Em ambas formulações, existem duas ligações de moléculas de hidrogênio (H) com moléculas de carbono (C). Na gordura trans produzida artificialmente, os H aparecem em lados apostos, daí sua denominação gordura transversa, ou simplesmente trans. Já na gordura trans natural eles aparecem no mesmo lado e são chamados de cis. “As gorduras trans e cis são semelhantes em algumas características, porém causam efeitos biológicos diferentes”, destaca Neuza.
Para evitar o acúmulo de gordura na região abdominal e futuros problemas de saúde, a pesquisadora recomenda atenção aos ingredientes dos alimentos industrializados. “Se o consumidor observar a presença de gordura vegetal hidrogenada, mesmo que parcialmente, é melhor substituir o produto por outro que não a contenha”, assinala. “O consumo de frituras, especialmente as das redes de fast-food também deve ser evitado, pois no processo de aquecimento o óleo adquire característica trans”, conclui. |